O meu site “Henrique Barros-Gomes, arquitecto” foi lançado há pouco mais de 6 meses. A versão em língua Inglesa estava também online menos de um mês depois.

Pouco depois de lançar o site iniciei este blog, que começou como uma forma de ir actualizando o site com novos conteúdos e acabou por evoluir para o que é hoje quase uma necessidade de materializar, de forma escrita, reflexões e pensamentos que vou tendo sobre a minha actividade de arquitecto freelancer mas também sobre muitas outras coisas.

Este esforço de escrever conteúdos apelativos e potencialmente interessantes tornou-se uma necessidade premente, da qual sinto falta quando para tal não tenho tempo. Para além de me fazer recuperar o gosto de escrever (que no fundo sempre tive) permitiu-me também organizar muito melhor as minhas ideias sobre uma infinitude de assuntos. E também identificar, pelo feedback que fui tendo, os temas que as pessoas que me lêem mais apreciam.

Hoje em dia há ferramentas gratuitas, como por exemplo o “Google Analytics”, que permitem até a um leigo como eu perceber como os utilizadores da internet interagem com o seu site. O que vêem, quando, por quanto tempo e de onde acederam ao site. Na última versão do programa estes dados estão até disponíveis em tempo real. Ou seja, se por exemplo alguém em Singapura entrar no meu site eu tenho imediatamente essa informação, caso esteja a visualizar o “Analytics”. Esta útil ferramenta têm-me permitido tirar algumas conclusões:

Depois do interesse inicial que despertou, é realmente nas alturas em que publico textos no blog, apresento novos projectos ou refiro notícias sobre a sua publicação na imprensa que o site regista maior afluência. Naturalmente que, como referi num dos meus primeiros posts, a divulgação nas redes sociais ajuda a potenciar o impacto de toda esta informação.

Neste breve tempo em que está online, o site recebeu a visita de quase 3000 pessoas de cerca de 60 países, pouco mais de metade das quais naturalmente de Portugal. É motivo de enorme satisfação que tanta gente, de tão variadas proveniências, tenha interesse no meu trabalho ou nas minhas ideias. E que me vá acompanhando e interagindo comigo. Reforça-me a vontade de continuar o que tenho feito até aqui e encoraja-me a melhorar, a aumentar o meu grau de exigência.

E agora a pergunta que irá na cabeça de muitas pessoas que estejam a ler este texto: - Está bem, tudo isso é muito interessante, mas reflecte-se em mais trabalho de arquitectura?

A resposta não é fácil. Ou melhor, até é: Sim e não.

Sim, porque a realidade é que já tive alguns trabalhos que não teria se não tivesse feito um esforço de divulgação tão grande. E tive diversas sondagens para potenciais encomendas de pessoas que sentiram empatia pelo que faço e que podem vir a resultar em trabalhos concretos.

Não porque, no fundo, não posso dizer ainda que esteja com muito trabalho em resultado da minha presença na internet.

Mas o facto é que, nos dias que correm, quase ninguém está propriamente cheio de trabalho, como se sabe. E como optimista (e determinado) que sou, acredito que a persistência acabará por dar frutos. Como tal, vamo-nos vendo por aqui!
 
 
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Muito se tem discorrido sobre este aforismo, que já vi ser atribuído aos mais diversos autores, desde o previsível Mies, a Einstein ou ao renascentista Miguelângelo. Também se discute se a frase original será mesmo assim ou se, pelo contrário, é o diabo que está nos detalhes. Confesso que não me interessa muito o rigor semântico ou a correcção científica.

Quando ouço esta máxima, acho sempre que se aplica à minha área de trabalho. Parece aliás ter sido feita a pensar na arquitectura. E faz-me todo o sentido que assim seja.

A verdade é que os detalhes são de facto importantes e o que distingue, muitas vezes, a boa e a má arquitectura. Seguramente facilitam a distinção do que é ou não arquitectura, do que é intencional e o que é casuístico.

Cada projecto tem uma lógica própria, que se revela ou procura em determinada fase do processo criativo e que deve, a meu ver, ser seguida de forma objectiva, de modo a dar-lhe consistência. Uma boa solução em determinado contexto pode não o ser noutro, pelo que se deve partir para cada projecto sem grandes ideias preconcebidas, explorando da melhor forma as regras intrínsecas à ideia que se está a explorar. Não quero dizer com isto que se deva estar sempre a tentar descobrir a roda, antes pelo contrário. Acredito que a maior parte das coisas já está inventada, o nosso trabalho é recombiná-las da melhor e mais atraente forma que nos for possível, face ao contexto e à linha narrativa que estamos a explorar em cada momento.

Naturalmente que quando um arquitecto encontra e testa com sucesso uma solução para um determinado problema construtivo, tem tendência a repetir essa resposta noutros projectos. Nada tenho contra esta opção e eu próprio já o fiz diversas vezes. Já me parece que quando a dita repetição não se enquadra nas regras de um projecto e ainda assim é utilizada, se transforma num tique de linguagem, um alien ao processo. Mesmo que seja uma imagem de marca, adquire uma conotação negativa. Para além de que acredito que uma obra não tem que ser imediatamente reconhecida como sendo de determinado arquitecto. Penso que problemas diferentes devem ter respostas diversas. O fio condutor do percurso de um criador deve ser a sua qualidade a cada momento, não a analogia estética entre as suas obras.

Quando se visita uma obra arquitectónica bem conseguida, há muitas vezes pequenos pormenores que nos despertam a atenção pela sua proporção, acerto, originalidade e qualidade que conferem ao conjunto. Há nessas situações uma qualidade holística, em que cada peça concorre para um todo coerente e harmonioso e é dele indissociável. É parte integrante do seu ADN. Estes detalhes fazem a diferença e fazem também todo o sentido, exaltam a componente artística daquela obra, induzem-nos uma elevação no estado de espírito. São no meu entender manifestações do sagrado. Fazem-me crer que é de facto Deus que está nos detalhes e não a concorrência...

 
 
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As férias são um tempo de viagem. Todos nós fizemos já as nossas viagens memoráveis, que ficaram como recordação de bons momentos, às vezes de descobertas exteriores ou interiores. Por vezes, essas recordações são marcantes para toda a vida.

Sempre que posso, faço uma viagem a um lugar diferente, seja de uma lista de destinos há muito em lista de espera, seja a um qualquer sítio onde nunca me tinha apetecido ir. Por vezes não suspeitava sequer da sua existência. Em parte é esse o encanto de uma viagem, a descoberta de qualquer coisa nova, de algo que para nós é de um formidável exotismo. Mesmo que esse exotismo só o seja para nós e para outros forasteiros. Aliás, por definição, um lugar exótico só o é para um estranho. Haverá sempre alguém para quem aquele lugar é muito, por vezes demasiado, familiar.

As viagens que vamos fazendo, seja por férias ou trabalho, vão enriquecendo a nossa vivência, tornando-nos mais cultos e sabedores. E se formos afortunados, mais tolerantes à diferença. Aumentam a nossa experiência e a nossa inteligência.

Sermos rapidamente transportados para um local que nos é exótico tem ainda a vantagem de nos fazer rapidamente esquecer o stress dos últimos dias, e afastar-nos do nosso quotidiano. Temos mais com que nos preocupar! O exótico, em princípio, proporciona sempre momentos memoráveis e ferias aliciantes.

Mas há uma outra componente essencial às minhas férias, desde criança. Mesmo que faça uma qualquer fantástica viagem, tenho de passar uma ou duas semana na Ericeira, pequena vila costeira a Norte de Lisboa.

Embora a pequena distância, este local tem um clima completamente diferente da cidade onde vivo. Se Lisboa é tórrida no verão, a Ericeira é amena e fresca. Às vezes é ventosa (Às vezes demasiado ventosa, para ser exacto). Quando era criança passava aqui 3 meses do ano.

Outrora conhecido como porto de pesca (o peixe e o marisco continuam a ser excelentes) é hoje mais conhecida pelos eventos relacionados com o Surf. Tem várias praias com belas ondas e o único português que integra o circuito ASP aqui vive e aqui desenvolveu as suas aptidões.

Não se explica facilmente o porquê de um número cada vez maior de pessoas afluir a esta vila e a estas praias no verão: tem um clima instável e fresco, nevoeiros matinais, nevoeiros à tarde, muito menos horas de sol, noites frescas, água fria e praias com rochas e ondas fortes. Mas é certo que, para os incondicionais, este é o melhor local do mundo, ou pelo menos aquele em que nos sentimos melhor. Desligar o carro e sair para a rua é toda uma experiência sensitiva. O cheiro e frescura do ar mudam-nos logo, para melhor, a disposição. Há o prazer adicional de reencontrar, todos os verões, as mesmas pessoas, com quem fomos crescendo, muitas delas já com filhos cada ano maiores, que são agora também amigos dos nossos filhos

Não há rigorosamente nada de exótico nesta versão de férias. Mas há uma agradável sensação de familiaridade, a consciência de pertencermos a um lugar, que associamos sobretudo a tempos  felizes, a dias compridos, a banhos temerários em ondas gigantescas, a verões intermináveis. E estar com algumas pessoas de quem gostamos muito.

Quem lê habitualmente os meus textos estranhará um pouco o tema deste post.

Este texto é a versão em português de um post em inglês com que participei no último LetsBlogOff. Este evento, que se realiza aproximadamente a cada duas semanas, tem, a cada edição, um tema que é desenvolvido pela comunidade cibernauta. O tema da última edição era “How do you relax and recharge?”. Qualquer pessoa pode entrar nestes eventos, desde que tenha um blog, uma conta no twitter e produza o texto em inglês. Podem ver abaixo um link para a minha participação original, bem como para os textos dos outros participantes.
 
 
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A minha casa de sonho de todos os dias fica mesmo no centro da cidade onde vivo.

Central em termos de localização, será descentrada em relação às ruas mais movimentadas. Também terá algum desafogo em seu redor. Poderá talvez localizar-se num pequeno largo ou praça. Será possível sair de casa a pé e chegar rapidamente ao metro, encontrar lojas, restaurantes e cafés, abertos todos os dias e a qualquer hora. E jardins. Aliás, para o sonho ser completo a casa terá um pequeno jardim murado, onde uma grande e antiga árvore de folha caduca nos lembrará a estação em que estamos e nos fará sentir a passagem do tempo. Uma fonte de água corrente, em blocos de pedra rudemente acabados, irá ganhando patine enquanto envelhecemos, murmurando um rumor contínuo e cristalino. Um deck de madeira queimado pelo sol, contíguo à sala, convidará a celebrar as noites quentes do verão de Lisboa com inesquecíveis jantares. E um minúsculo jardim, muito cuidado, permitirá sentir sob os pés descalços a frescura da relva a crescer. Um luxo.

Não será possível classificar a minha casa de sonho em função da tipologia. Compartimentada, por um lado, mas com grande fluidez espacial, por outro, não deixará transparecer com facilidade o limite entre as áreas sociais e as áreas privadas. Se tiver o tamanho sonhado, será suficientemente flexível para se ajustar às necessidades dos habitantes em cada altura da sua vida, variando a dimensão e configuração da área privada, com recurso a painéis e paredes recolhíveis.

Não poderá por isso ser demasiado evidente, terá de ter alguma complexidade e a capacidade de me surpreender a cada dia. A mim e aos visitantes, que hesitarão, como que perdendo-se momentaneamente lá dentro, o que me provocará sempre um pequeno, quase invisível, sorriso de satisfação. Um dédalo de salas, labirinto sugerido.

Sendo bastante antiga, a casa será impecavelmente remodelada, mantendo apenas os elementos mais interessantes da construção original. Uma remodelação delicada e elegante, atenta ao passado mas com olhos no futuro. Simultaneamente antiga e contemporânea. No fundo, o melhor de dois mundos. Com tectos altos, terá algures uma sala com um tecto ainda mais alto, com grande pé direito, captando lá do alto a luz a todas as horas, o que nos fará sempre olhar para cima. E uma mezzanine com um pequeno escritório. Um grande janelão aberto a Poente, sobre a cidade, revelará ao fundo o Tejo. Terá ampla e variada luz a inundar as paredes brancas e a aquecer os pavimentos em largas tábuas de madeira. E será confortável. Fresca no verão e suficientemente amena no inverno para quase não ser preciso ligar o aquecimento. Não precisarei de ar condicionado para nada.

Esta é a minha casa de sonho. Como é a vossa?

 
 
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A maioria das pessoas, ao longo da vida, vai ao médico sempre que tem algum problema de saúde. E quando tem problemas legais recorre naturalmente a um advogado. Não pensa em poupanças, ou em considerar hipóteses alternativas, porque considera que são assuntos sérios, que devem ser resolvidos com a ajuda de profissionais qualificados e inquestionáveis. Mas em relação ao espaço em que passa grande parte da sua vida e os seus momentos mais pessoais – a sua casa – pensa, muitas vezes, que será perfeitamente autónoma nas decisões a tomar e nas obras a realizar.

A verdade é que, em relação à arquitectura, a maioria das pessoas tem opinião e não se exime de a exprimir, nos mais diversos contextos. E em muitos casos, quando surge a oportunidade de materializar o seu sonho, pensa saber exactamente o que quer e, acima de tudo, como o quer.

Esta realidade, sobejamente conhecida e alvo de numerosos estudos, é observável tanto para edificar uma casa de raiz como para remodelar um apartamento.

Conseguir construir a sua casa é, para muitas pessoas, um sonho tornado realidade. E como tal devia ser encarado. Então porque é por vezes confiado a uma qualquer pessoa que se apresente como minimamente capaz, independentemente da sua formação, normalmente sob o pretexto do preço do projecto?

Para um arquitecto, projectar uma casa é o exercício essencial da arquitectura. É simultaneamente o programa mais comum, mais testado em todo o mundo e porventura o mais aliciante, pela capacidade que continua a ter de nos surpreender, com a recombinação das mesmas variáveis. Não há como esconder – é uma enorme responsabilidade projectar uma casa. As decisões que tomamos farão parte intensa do quotidiano daquelas pessoas por um período de tempo indeterminado, por vezes para o resto da sua vida. Temos a possibilidade de as inspirar, de lhes proporcionar conforto, de realmente melhorar a sua existência. Se somos todos pessoas diferentes, porque não devemos ter uma casa pensada especificamente para nós?

E o local em que a nossa casa irá ser construída é determinante: Como se relaciona com o Sol e de onde vem a luz? E com as vistas? E com o contexto envolvente? E o que se sente nesse local? A que cheira a terra, como é a vegetação? Para onde olhamos? Como é a sua modelação? Todos estes factores, e muitos mais, influenciam a resposta dada pelo arquitecto no projecto. Não deixa de ser extraordinário como, provavelmente na única vez na vida em que se consegue realizar este sonho, se confia uma tarefa desta importância a qualquer um…

Quanto aos que optam por comprar construções já existentes para remodelar, conheço pessoalmente diversas situações em que as pessoas adquiriram casas ou apartamentos em mau estado de conservação, a necessitar de grande intervenção, que poderiam ter constituído excelentes oportunidades para corrigir situações funcionalmente pouco interessantes, mas acima de tudo para pensar toda a casa em função das suas necessidades e anseios efectivos. Em alguns desses casos os compradores da casa decidiram eles mesmos, muitas vezes aconselhados apenas pelo empreiteiro, ou recorrendo a revistas de decoração, toda a intervenção a realizar. O resultado foi mau? Bem, não necessariamente, mas poderia decerto ter tido outro nível de excelência, requinte e exclusividade.

Um erro clássico é, a meu ver, pensar-se que se vai gastar imenso dinheiro a contratar um profissional, quando é tão simples pintar umas paredes, mudar uns azulejos ou as loiças sanitárias e já está…o que é um duplo erro: Não só a tal ajuda profissional não é tão cara quanto se imagina, como pode fazer toda a diferença no produto final.

Como mero exercício, se se contabilizar quanto se gasta para comprar um terreno ou uma casa usada e quanto se vai ainda despender nas obras a efectuar, e se considerar todo este investimento como um todo, é fácil perceber que os honorários de um arquitecto serão uma pequena fatia do total. Contudo, o resultado será totalmente diferente. Um bom arquitecto pensará no espaço de forma integrada e conseguirá personalizá-lo e optimizá-lo à medida do cliente e das suas necessidades, actuais ou futuras.

Se a poupança na empreitada for uma preocupação determinante, um arquitecto competente conseguirá também assegurar um gasto inferior nas obras a efectuar. Mesmo incluindo os honorários do arquitecto!

A boa arquitectura é pensada de uma forma integrada e principalmente personalizada. É tailormade. É a diferença entre ir a um alfaiate ou a um pronto a vestir. Um pronto a vestir nada tem de errado, mas se apenas pudéssemos ter um fato, decerto preferiríamos que fosse feito por um alfaiate.

Ter uma casa pensada (ou repensada) por um arquitecto não tem de ser um luxo. Mas a sê-lo, é um luxo acessível!
 
 
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Como alguns saberão, há cerca de ano e meio a minha vida mudou bastante. Depois de quase 20 anos a trabalhar para outras pessoas em gabinetes e escritórios de arquitectura, comecei a trabalhar exclusivamente em nome próprio.

Construir um nome, uma marca, encontrar o nosso espaço, para mais numa conjuntura profundamente negativa, é um grande desafio, mas pode também ser uma oportunidade. E tem custos, mesmo que tentemos consolidar o nosso percurso passo a passo, de forma estóica e minimalista.

A consequência imediata é termos de aprender a desempenhar nós próprios tarefas que tradicionalmente confiaríamos a outras pessoas, caso ainda trabalhássemos numa empresa de maior dimensão. No meu caso específico esta necessidade, que sem dúvida aguçou o engenho, traduziu-se em diversos casos concretos. Antes de os apresentar e por uma questão de honestidade devo referir uma das principais vantagens de se trabalhar para si próprio: A gestão do tempo é bem mais fácil, ou seja, somos nós próprios a decidir quanto tempo é que deveremos dedicar a cada tarefa e quando a executar. No fundo, estabelecemos as nossas prioridades. E naturalmente podemos tomar decisões com total autonomia, para o bem e para o mal.

Apresento alguns passos que constituíram grandes desafios e não menores oportunidades:

Marca – Depois da inestimável ajuda inicial de uma equipa de consultores de marketing empresarial (que recomendo fervorosamente), que me ajudou a estabelecer o meu posicionamento, a identificar o que me distingue e a definir os valores que devo transmitir, a imagem do meu gabinete foi desenhada por mim. Foi um trabalho árduo e invisível. Acreditem, para uma coisa parecer simples, é provável que tenha dado muito mais trabalho do que aparenta;

Site – Até há uns meses achava-me completamente incapaz de construir um site. Sabia o que queria visualmente, mas sempre pensei que era um trabalho insondável, destinado a enigmáticos especialistas. Contudo, existem actualmente numerosas ferramentas, a maior parte gratuitas, que simplificam muito esta tarefa. Continua a dar muito trabalho chegar a um resultado que nos satisfaça, mas é possível. A regra de ouro é, a meu ver, seguir religiosamente o “princípio K.I.S.S”. (procurem na net o significado, caso não saibam. É um prazer suplementar ser didáctico…) É também fácil ter um site bilingue. Basta fazer um site idêntico ao primeiro, introduzir os conteúdos em Inglês e criar links entre eles.

Redes Sociais e sua integração – Aqui está uma área sobre a qual tinha, até há menos de um ano, uma ignorância confrangedora. E se os primeiros passos foram tímidos, agora sou um utilizador activo e convicto do Facebook, LinkedIn, Twitter, Flickr, About me, Architizer, BranchOut, Foursquare, Startracker, estou inscrito no Klout, Digg, Disqus e mantenho alguns blogues, para além do site. É importante relacionar todas estas ferramentas entre si, ganhando massa crítica e alimentá-las com conteúdos interessantes, que façam os outros utentes querer acompanhar o nosso percurso. Nota importante: Juro que todos estes nomes existem!

Manutenção e promoção do site – Criar um site é, hoje em dia, relativamente rápido e fácil, nomeadamente, imagino, para quem não seja obcecado pelo aspecto gráfico da coisa. No entanto, manter o site também é trabalhoso, principalmente se quisermos que apareça bem colocado nas pesquisas feitas nos motores de busca como o Google. Um blog é importante e actualizar continuamente o site com novos conteúdos também ajuda, mas é imprescindível aprender um pouco sobre SEO (Search Engine Optimization). É só procurar na net. E é também com esta facilidade que se transforma um texto leve e agradável de ler num momento nerd e encriptado. Mas para um aprendiz de self-made-man, a vida não são só prazeres…

Promoção e divulgação noutros canais – Para um arquitecto, como imagino que para outros profissionais, é importante que o seu trabalho seja divulgado junto dos potenciais clientes. Para além de tudo o que podemos fazer na internet e que é muito, temos, a meu ver, duas opções: podemos ficar à espera que alguém repare nas qualidades inexcedíveis do nosso portfolio ou podemos arregaçar as mangas e promover a sua divulgação junto das publicações, generalistas ou da nossa área de influência, onde nos interessa ser divulgados. Não custa nada, para além de algumas machadadas esporádicas na nossa auto-estima, largamente compensadas pelas vezes em que o nosso esforço é frutífero.

Uma boa aposta é também contratar um fotógrafo especializado em fotografia de arquitectura. Hoje em dia a divulgação e promoção dos projectos fotografados faz parte do serviço contratado. Quando a agenda do fotógrafo não é compatível com a janela de oportunidade para fotografar o projecto, uma boa opção é alugar o material fotográfico que nos falta (como uma boa lente para interiores), arranjar um tripé sólido e atirar-nos de cabeça a mais esta tarefa.

O que posso dizer é que damos um valor diferente às coisas quando as fazemos nós próprios…e sem dúvida que enriquecemos e melhoramos as nossas competências no percurso. E ainda podemos ficar bastante agradados com os resultados!


 
 
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Há alguns anos atrás mostrei ao meu filho mais velho o videoclip da canção ‘All I need’, dos Radiohead. Sempre adorei as músicas desta banda e quando vi o clip, que achei belíssimo, pensei que ele iria gostar de o ver. Estudante e praticante de um instrumento com reportório essencialmente clássico, está sempre aberto a conhecer formas diferentes de expressão musical do que as que ouve no conservatório. Para quem não conhece, o vídeo ilustra, num ecrã divido ao meio, um dia na vida de uma criança do primeiro mundo e o mesmo dia vivido por um grupo de crianças operárias de um qualquer país asiático. Esta dicotomia entre vidas completamente antagónicas, com graus de dificuldade e dureza opostas, faz-nos inevitavelmente pensar em questões como o contexto económico, social ou cultural em que nascemos e a forma como este influencia a nossa vida e as oportunidades que nos vão surgindo pela frente. Também nos faz relativizar as aparentes dificuldades que vamos sentindo no quotidiano e que, se na altura nos parecem intransponíveis, são em circunstâncias normais ultrapassáveis com menor ou maior esforço. Na maior parte das vezes, é justo dizer que a forma como vivemos depende essencialmente de nós e das escolhas que vamos fazendo, da adaptabilidade que adquirimos, do grau de exigência que nos impomos a nós mesmos. Temos ou tivemos as oportunidades e, bem ou mal, temos também o livre arbítrio para fazer da nossa vida o que bem entendermos.

Todas estas considerações são decididamente mais verdadeiras se a nossa infância se tiver parecido, na essência, com a que é retratada do lado esquerdo do ecrã, no vídeo dos Radiohead. Eu não acredito necessariamente no determinismo e penso que, por mais obstáculos que a vida nos coloque à frente, é sempre possível aspirarmos a algo mais, estabelecer metas pessoais e, porque não, ultrapassá-las. Podemos até virar a página a situações particularmente infelizes ou penosas e alcançar objectivos que nos podem ter parecido, por vezes, remotos ou até absurdos. Esta ambição, ou qualidade aspiracional, é essencial à materialização de qualquer projecto, seja ele de natureza pessoal ou profissional.

Reconheço porém que haverá circunstâncias em que a influência num indivíduo de tudo o que o rodeia pode ser esmagadora, de modo a cortar-lhe toda e qualquer possibilidade de realizar as suas aspirações ou até de as ter. Serão situações extremas, em que o que está em causa é a mais elementar sobrevivência diária. Muita gente no mundo viverá nestas condições. Felizmente, nunca tive, nem a maior parte das pessoas que conheço, de experimentar condições tão extremas e miseráveis. Podemos viver uma época particularmente difícil, desanimadora ou até depressiva, mas movimentamo-nos num casulo de conforto e bem estar que nos deveria relativizar as dificuldades. Temos também a opção de decidir mudar, arriscar, procurar oportunidades noutros locais menos deprimidos ou noutras áreas de negócio. A tal adaptabilidade. Penso realmente que é uma questão de perspectiva, de pesar de forma objectiva os pratos da balança.

No fim do vídeo o meu filho, na altura com 10 anos, disse-me que tinha gostado muito, tanto da música como das imagens. Animado com a sua resposta arrisquei a pergunta óbvia: Com qual das realidades representadas no vídeo é que ele se identificava mais?

A sua resposta não foi a que eu esperava ouvir e confesso o desconcerto que na altura senti. Provavelmente influenciado pelo facto de estar habituado a ter de fazer a cama, arrumar o quarto e ajudar em algumas tarefas domésticas, nem sempre com prazer evidente, o meu filho identificava-se com o duro quotidiano das crianças operárias retratadas do lado direito do ecrã.

Quando o fiz ver a injustiça e evidente disparate da sua resposta e a sorte que tem por viver como e onde vive, mudou, envergonhado, de opinião.

Mais uma vez, é tudo uma questão de perspectiva…

Radiohead ‘All I need” http://www.youtube.com/watch?v=cdrCalO5BDs
 
 
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Nos últimos dias tornei-me um utente mais activo das redes sociais. Para além do Facebook, do LinkedIn e do Flickr, que já utilizava, estou agora também no Twitter, onde faço comentários com o nome HBG_architect.

Para além disso, aderi ao about me, que resume toda a informação acerca de mim nas redes sociais.
 
 
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A remodelação de um apartamento na Portela, que pode ver aqui, vai ser alvo de um artigo numa das próximas edições do Jornal "Expresso".