Há meia dúzia de anos um edifício que projectei e tinha acabado de ser inaugurado, foi alvo de atenção de um dos maiores “opinion makers” nacionais, Miguel Sousa Tavares, na sua coluna de opinião semanal no “Expresso”. Como até sou seu leitor habitual li por acaso o artigo logo na manhã de sábado. Não se pode dizer que tenha gostado do meu edifício. Em boa verdade, detestou-o e não se inibiu de exprimir com a mestria habitual o seu descontentamento. Ainda por cima, o meu crítico tinha um envolvimento sentimental com o local, por aí passar férias desde criança. O projecto em questão refere-se a uma nova estação ferroviária para Lagos, no seguimento da cedência da antiga estação, completamente obsoleta, à autarquia, para ser reconvertida num equipamento de cariz cultural. A MST incomodava não apenas o destino da antiga estação (que não está de facto ainda concretizado) mas também a necessidade do novo edifício e especialmente a sua estética.
Confesso que quando acabei de ler o artigo senti simultaneamente alegria, satisfação e naturalmente alguma estupefacção com a ligeireza de algumas das opiniões escritas no artigo. Mas o sentimento positivo era predominante. Por uma simples razão: Ninguém que crie algo deseja ser unânime! Na realidade é o pior que nos pode acontecer reunirmos opiniões consensuais sobre aquilo que imaginámos. Obviamente que se apenas tivermos reacções negativas isso poderá acabar por nos afectar, mas algumas críticas, ainda que ácidas, no meio dos elogios que também recebemos, só nos enriquecem. Como diz o ditado popular “o que não nos mata torna-nos mais fortes”.
A questão é que, nas nossas obras, apenas conseguiremos ser consensuais se nos movimentarmos numa faixa de conformismo e bom comportamento, que não incomode, mas também não surpreenda. Aí poderemos ter uma obra que não repugne a ninguém. Mas agradará verdadeiramente a alguém? Terá a capacidade de despertar emoções, de comover? Definitivamente, não me interessa nada ser consensual.
Confesso que quando acabei de ler o artigo senti simultaneamente alegria, satisfação e naturalmente alguma estupefacção com a ligeireza de algumas das opiniões escritas no artigo. Mas o sentimento positivo era predominante. Por uma simples razão: Ninguém que crie algo deseja ser unânime! Na realidade é o pior que nos pode acontecer reunirmos opiniões consensuais sobre aquilo que imaginámos. Obviamente que se apenas tivermos reacções negativas isso poderá acabar por nos afectar, mas algumas críticas, ainda que ácidas, no meio dos elogios que também recebemos, só nos enriquecem. Como diz o ditado popular “o que não nos mata torna-nos mais fortes”.
A questão é que, nas nossas obras, apenas conseguiremos ser consensuais se nos movimentarmos numa faixa de conformismo e bom comportamento, que não incomode, mas também não surpreenda. Aí poderemos ter uma obra que não repugne a ninguém. Mas agradará verdadeiramente a alguém? Terá a capacidade de despertar emoções, de comover? Definitivamente, não me interessa nada ser consensual.
Na segunda-feira de manhã, assim que cheguei ao escritório, um dos meus colegas, especialmente madrugador, veio logo falar comigo. Também tinha lido o artigo e estava indignado! Perguntou-me o que iríamos fazer – Nada - respondi-lhe com um sorriso. Ficou incrédulo e voltou a perguntar-me – mas porquê, tu não ficaste ofendido com o que estava escrito? – Não, respondi-lhe, obviamente que não concordo, mas cada um tem direito à sua opinião! E não resisti a brincar um pouco: Na verdade, até estou agradecido, é assim como o reconhecimento da minha maturidade como arquitecto, a primeira polémica em que uma obra que criei se envolve…
Não me parece que o meu colega tenha concordado ou sequer compreendido as minhas razões. Enfim, opiniões, não se pode de facto agradar a toda a gente!
Não me parece que o meu colega tenha concordado ou sequer compreendido as minhas razões. Enfim, opiniões, não se pode de facto agradar a toda a gente!



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